O PT precisa aprofundar o debate ideológico acerca do novo modelo de país surgido a partir do governo Lula para, em 2010, ter melhores condições de enfrentar as forças políticas que sempre defenderam o modelo oposto – e que levou o mundo à atual crise mundial.
A análise é do ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República, produzida na última mesa de debates do 3º Seminário Nacional CNB, realizado em São Roque (SP), no fim de semana. Participaram da mesa de Dulci o presidente do PT, Ricardo Berzoini; o chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e o líder do partido na Câmara Federal, Maurício Rands.
“As pessoas valorizam as mudanças que fizemos, mas não a identificam com um projeto estruturalmente diferente do anterior”, afirmou Dulci, ressaltando a importância do debate público em torno disso. “É importante que os 70% que apóiam o governo Lula (segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira passada) se identifiquem com o nosso projeto”, completou.
Dulci lembrou que o governo Lula superou, na teoria e na prática, uma série de dilemas e impasses dos anos 80 e 90.
“Superamos o falso dilema entre estabilidade e crescimento e mostramos que é possível crescer com inflação baixa. Superamos o falso dilema entre estado e mercado, fortalecendo o Estado sem estatizar. Superamos o falso dilema entre exportação e mercado interno, quando apostamos nas duas coisas e mostramos que é possível conciliar. Superamos o falso dilema entre econômico e social, mostrando que o investimento no social tem impacto macroeconômico virtuoso, faz a economia girar. E superamos o falso dilema entre integração subordinada ou virar as costas para o mundo, fazendo a integração soberana”, listou o ministro.
Dulci defendeu o estabelecimento de uma política nacional de alianças em 2010, o apoio do PT às prefeituras petistas na conjuntura da crise econômica e o aprofundamento das relações do partido com a sociedade.
“Não é verdade que perdemos a relação com o movimento social. O governo, com todas as limitações, consolidou essa relação. Mas pode ser mais qualificada, com velhos e novos sujeitos sociais. Nesse sentido, os setoriais do partido são muito importantes”, observou.
Novo projeto
Em sua exposição, Gilberto Carvalho também destacou o êxito do governo Lula e as eleições de 2010 como o grande momento de reafirmação desse projeto.
“Praticamos um programa que tem produzido mudanças efetivas na vida dos mais pobres. Sabemos o que o povo ganhou e o que a elite perdeu. Isso nos obriga a uma dedicação ainda maior do que em 2002 e 2006. Temoso de avançar e estabelecer correlação de forças ainda maior”, disse, repetindo a expressão cunhada por José Dirceu no dia anterior, de que 2010 será “a eleição de nossas vidas”.
Ele ponderou, porém, que, a partir de agora, será preciso elaborar um novo projeto. “O Brasil amanhece o ano de 2011 muito diferente do que amanheceu em 2003. Há um novo país, qual o projeto que temos para ele? 2009 deve ser de intensa reflexão sobre esse tema. E o método mais rico de elaboração é aquele que parte de nossas experiências. A riqueza que foi o Brasil nos últimos anos é a matéria-prima de dessa reflexão”.
Do ponto de vista interno, Carvalho destacou como ponto inicial a unidade e o coesionamento do partido em torno da atual direção. “Temos superar dificuldades e divergências, com a consciência do que está em jogo, dando maior legitimidade, apoio e autoridade à atual direção do partido. Não é bom antecipar debate sobre nomes (que disputariam o PED 2009). Temos de dar ao Berzoini todo o respaldo”, afirmou.
Diálogo
O presidente Ricardo Berzoini iniciou sua explanação afirmando que as eleições de 2008 mostraram as potencialidades, as limitações e as características do PT nas várias regiões do país. E destacou a necessidade de se abrir, já em 2009, um processo de diagnóstico e diálogo, nos Estados, com os partidos da base aliada.
O líder Maurício Rands concordou e falou também em reforças os laços com a base social do partido. “Na Câmara, temos lutado por uma pauta que dialoga com nossa base. A bancada lutou pelo projeto as cotas em universidades, pelo aumento da licença-maternidade e pelas políticas em favor dos negros, dos jovens, dos idosos” enumerou.
Para ele, embora a população nem sempre perceba o importante papel do PT nesse processo, o governo Lula já está deixando um saldo diferenciado de consciência política. “Mas precisamos continuar disputando a hegemonia dos nossos valores socialistas, articulando esses valores gerais com as conquistas concretas”, concluiu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário