terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Encontro Construindo um Novo Brasil


Participei no final de semana em São Roque – SP, do encontro da corrente interna do PT Construindo um Novo Brasil (CNB). O principal desafio da corrente é o debate em torno da crise e da sucessão presidencial, seja com a companheira Dilma ou com outro candidato. Sobre a política de alianças ficou claro a importância de construir com o PMDB a partir dos estados a aliança nacional, visto que a verticalização acabou. Isso significa aos olhos nacionais que deveremos nos aproximar do PMDB no Estado. Acho difícil que isso aconteça.
O companheiro Zé Dirceu deu grande contribuição ao encontro.
segue em anexo o blog do companheiro.

Para Berzoini e Dirceu, enfrentamento político da crise será decisivo em 2010

A organização do PT para as eleições de 2010 e o enfrentamento político da crise financeira estiveram no centro do debate sobre conjuntura nacional realizado na manhã deste sábado, em São Roque (SP), dentro do 3º Seminário Nacional CNB, e que teve como expositores o presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Para Berzoini, o PT precisa desde já se preparar para os desafios políticos do próximo período, num cenário de crise internacional que terá reflexos no Brasil e que será determinante para o debate eleitoral de 2010.
“A priori, nosso governo está enfrentando muito bem a crise e age de maneira completamente diferente de governos anteriores que passaram por problemas parecidos. Temos um objetivo a cumprir e construímos as condições para isso. O PAC hoje pode ser traduzido como um programa de manutenção do crescimento”, afirmou.
Ele defendeu, como próximos passos, uma revisão da atual política monetária, a criação de mecanismos que aumentam a oferta de emprego e a adoção de medidas que compensem eventuais perdas na renda dos trabalhadores.
Berzoini acredita queexiste uma grande oportunidade para o PT demarcar mais claramente sua posição, já que a crisedemonstra o fracasso das políticas neoliberais e o acerto dos programas conduzidos pelo governo Lula nos últimos seis anos.
“A crise é processo de esgotamento de um ciclo teórico da direita, um momento privilegiado para fazer a disputa com o modelo que governou o Brasil durante 12 anos. Imaginem o Brasil, hoje, sem os bancos públicos”, disse, numa referência às inúmeras investidas feitas até recentemente para que estes bancos fossem privatizados.
O presidente do PT defendeu ainda uma atuação mais forte e planejada do partido, principalmente junto a seus governadores, para que políticas anticíclicas sejam adotas também nos Estados. Da mesma maneira, disse ele, deve dar total à luta dos movimentos sociais que pedem manutenção do emprego, da renda e dos programas de inclusão.
“Nossa presença no movimento social e sindical será mais importante a partir de agora e decisiva em 2010. Partido sempre foi de esquerda e não tem razão para deixar de ser”, afirmou
Orgulho
O ex-ministro José Dirceu abriu sua fala avisando que iria fazer uma exposição dentro do “velho otimismo revolucionário”. Ele lembrou que a crise deixou a oposição sem discurso e, mais do que isso, consagrou a maiorias das bandeiras e ações defendidas pelo PT nos últimos 20 anos.
“Devemos ter orgulho de ser petistas diante do período que se abre no mundo. O que realizamos no Brasil hoje é exemplo no mundo. É um cartão de visitas inigualável. Temos de ter consciência da responsabilidade que nós temos”, afirmou.
Para ele, a disputa de 2010 será a mais importante de todas já disputadas pelo partido. “Talvez essa seja a eleição da nossa vida. Vai definir se o PT é capaz de transformar esse projeto conjuntural num projeto histórico”.
Oprincipal problema do partido,na avliação do ex-ministro,é definir como será sua atuação daqui para frente, preocupação que também fora levantada por Berzoini. Os dois concordaram que o resultado de 2010 passa pela definição das alianças nos Estados, bem como de uma agenda que comece a pavimentar, já no início de 2009, os caminhos que levem à conciliação dos interesses regionais com o projeto maior de país.
“Além disso, qual agenda vamos apresentarem 2010?”, perguntou Dirceu.Ele defendeu, como pontos centrais deste programa futuro, a revisão do sistema financeiro e monetário, o aprofundamento do papel do Estado e o retorno dos investimentos em alta tecnologia.
“A crisemudou o mundo. Eles (neoliberais) estão na defensiva. (...) Temos de tomar a iniciativa do debate político, criar um grande plano de obras públicas, reduzir o superávit primário e os juros. A disputa na sociedade nós já ganhamos. Agora, em 2009, temos de saber como sair da crise”, finalizou.

Dulci: PT precisa aprofundar debate ideológico sobre novo projeto de país

O PT precisa aprofundar o debate ideológico acerca do novo modelo de país surgido a partir do governo Lula para, em 2010, ter melhores condições de enfrentar as forças políticas que sempre defenderam o modelo oposto – e que levou o mundo à atual crise mundial.
A análise é do ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República, produzida na última mesa de debates do 3º Seminário Nacional CNB, realizado em São Roque (SP), no fim de semana. Participaram da mesa de Dulci o presidente do PT, Ricardo Berzoini; o chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e o líder do partido na Câmara Federal, Maurício Rands.
“As pessoas valorizam as mudanças que fizemos, mas não a identificam com um projeto estruturalmente diferente do anterior”, afirmou Dulci, ressaltando a importância do debate público em torno disso. “É importante que os 70% que apóiam o governo Lula (segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira passada) se identifiquem com o nosso projeto”, completou.
Dulci lembrou que o governo Lula superou, na teoria e na prática, uma série de dilemas e impasses dos anos 80 e 90.
“Superamos o falso dilema entre estabilidade e crescimento e mostramos que é possível crescer com inflação baixa. Superamos o falso dilema entre estado e mercado, fortalecendo o Estado sem estatizar. Superamos o falso dilema entre exportação e mercado interno, quando apostamos nas duas coisas e mostramos que é possível conciliar. Superamos o falso dilema entre econômico e social, mostrando que o investimento no social tem impacto macroeconômico virtuoso, faz a economia girar. E superamos o falso dilema entre integração subordinada ou virar as costas para o mundo, fazendo a integração soberana”, listou o ministro.
Dulci defendeu o estabelecimento de uma política nacional de alianças em 2010, o apoio do PT às prefeituras petistas na conjuntura da crise econômica e o aprofundamento das relações do partido com a sociedade.
“Não é verdade que perdemos a relação com o movimento social. O governo, com todas as limitações, consolidou essa relação. Mas pode ser mais qualificada, com velhos e novos sujeitos sociais. Nesse sentido, os setoriais do partido são muito importantes”, observou.
Novo projeto
Em sua exposição, Gilberto Carvalho também destacou o êxito do governo Lula e as eleições de 2010 como o grande momento de reafirmação desse projeto.
“Praticamos um programa que tem produzido mudanças efetivas na vida dos mais pobres. Sabemos o que o povo ganhou e o que a elite perdeu. Isso nos obriga a uma dedicação ainda maior do que em 2002 e 2006. Temoso de avançar e estabelecer correlação de forças ainda maior”, disse, repetindo a expressão cunhada por José Dirceu no dia anterior, de que 2010 será “a eleição de nossas vidas”.
Ele ponderou, porém, que, a partir de agora, será preciso elaborar um novo projeto. “O Brasil amanhece o ano de 2011 muito diferente do que amanheceu em 2003. Há um novo país, qual o projeto que temos para ele? 2009 deve ser de intensa reflexão sobre esse tema. E o método mais rico de elaboração é aquele que parte de nossas experiências. A riqueza que foi o Brasil nos últimos anos é a matéria-prima de dessa reflexão”.
Do ponto de vista interno, Carvalho destacou como ponto inicial a unidade e o coesionamento do partido em torno da atual direção. “Temos superar dificuldades e divergências, com a consciência do que está em jogo, dando maior legitimidade, apoio e autoridade à atual direção do partido. Não é bom antecipar debate sobre nomes (que disputariam o PED 2009). Temos de dar ao Berzoini todo o respaldo”, afirmou.
Diálogo
O presidente Ricardo Berzoini iniciou sua explanação afirmando que as eleições de 2008 mostraram as potencialidades, as limitações e as características do PT nas várias regiões do país. E destacou a necessidade de se abrir, já em 2009, um processo de diagnóstico e diálogo, nos Estados, com os partidos da base aliada.
O líder Maurício Rands concordou e falou também em reforças os laços com a base social do partido. “Na Câmara, temos lutado por uma pauta que dialoga com nossa base. A bancada lutou pelo projeto as cotas em universidades, pelo aumento da licença-maternidade e pelas políticas em favor dos negros, dos jovens, dos idosos” enumerou.
Para ele, embora a população nem sempre perceba o importante papel do PT nesse processo, o governo Lula já está deixando um saldo diferenciado de consciência política. “Mas precisamos continuar disputando a hegemonia dos nossos valores socialistas, articulando esses valores gerais com as conquistas concretas”, concluiu.